Campanha para alertar sobre câncer de cabeça e pescoço em julho

O Julho Verde, assim como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, é um período voltado para a conscientização sobre o câncer.

Nesse caso, na região da cabeça e do pescoço. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), referente ao período 2016 e 2017, são esperados cerca de 30 mil novos casos somente de cavidade oral, laringe e tireoide em todo país. “Esses alertas são importantes para que a população entenda o quão importante é se informar sobre assunto para se prevenir e entender como perceber os sinais da doença“, explica Thiago Jardim Arruda, radio-oncologista da Radiocare-Hospital Felicio Rocho.

Entre os tipos mais comuns da enfermidade estão câncer de boca, faringe, laringe e tireoide. “O cigarro e o álcool são os principais responsáveis por esse tipo de doença também. Geralmente, o paciente que é diagnosticado tem algum desses hábitos. Lembrando que se combinados os dois, a chance de ter a doença pode aumentar em até 20 vezes”, conta o especialista.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, na última década, a incidência do câncer de boca e orofaringe em pacientes mais jovens e não tabagistas, tem aumentado bastante devido à contaminação pelo papilomavírus (HPV). “O vírus aumenta as chances de aparecer o tumor.

Infelizmente, as pessoas ainda não se conscientizaram que sexo oral também necessita de proteção”, explica Arruda.

Diagnóstico Precoce

“A campanha também é importante para que as pessoas compreendam que uma simples ferida que não cicatriza, nodulações no pescoço, alterações na voz ou ainda, uma dor de garganta que dure mais de três semanas podem ser sinais da doença”, esclarece Thiago Jardim Arruda. Ainda segundo o radio-oncologista, saber os sintomas e recorrer às consultas médicas é essencial para o diagnóstico precoce. Segundo Arruda, as chances de sucesso do tratamento podem ser bem maiores se o tumor for descoberto no estágio precoce da doença. Por isso, é importante ficar atento aos sinais do corpo e, a qualquer alteração, procurar um médico especialista.

*Fonte: Thiago Jardim Arruda, radio-oncologista da Radiocare-Hospital Felicio Rocho (Hipertexto)

Automedicação e suas graves consequências

Quem nunca tomou um remédio sem prescrição médica para curar uma dor de cabeça ou febre? Quem nunca pediu opinião a um amigo sobre qual medicamento ingerir em determinadas ocasiões? Quem nunca pesquisou sobre um sintoma na internet e, logo em seguida, se medicou, sem consultar um profissional?

 

O Brasil é recordista em automedicação. A pesquisa O Comportamento da Dor do Paulista, realizada em 2014 pelo Instituto de Pesquisa Hibou, identificou que o brasileiro da Região Sudeste é o que mais se automedica de forma indiscriminada e sem medo das consequências. Apenas 8% dos entrevistados nunca se automedicaram. Segundo o estudo, as dores que mais afetam os cidadãos são as de cabeça (42%), a lombar (41%), a cervical (28%) e nas pernas (26%).

Os medicamentos são o principal agente causador de intoxicação em seres humanos no Brasil desde 1994, segundo o Conselho Federal de Farmácia. De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, a automedicação levou para o hospital mais de 60 mil pessoas de 2010 a 2015.

Outra preocupação refere-se à combinação inadequada dos produtos. Nesse caso, o uso de um remédio pode anular ou potencializar o efeito do outro ou, em situações mais graves, a ingestão incorreta ou irracional dos medicamentos também pode levar à morte. É o que explica o otorrinolaringologista de Brasília Jessé Lima Júnior.

— O que mais preocupa é a ingestão dos antibióticos. O uso deles pode aumentar muito a resistência bacteriana, e a gente sempre ouve muito sobre as superbactérias, que acabam resultando em muita complicação dentro e fora dos hospitais — ressaltou.

O médico também lembra que, embora a internet tenha facilitado o acesso às informações, nem sempre o que está ali é confiável. Ele cita o caso de pacientes que chegam ao seu consultório com ideias prévias e, muitas vezes, errôneas sobre os seus sintomas, inclusive indicando tratamentos.

— Isso se agrava quando se tratam de problemas de saúde que requerem medicamentos de uso controlado — alertou.

 

Carência

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que, em todo o mundo, mais de 50% de todos os medicamentos receitados são dispensáveis ou vendidos de forma inadequada. Cerca de 1/3 da população mundial tem carência no acesso a remédios essenciais e metade dos pacientes tomam medicamentos de forma inadequada.

Jessé Lima ressalta que medicamentos anteriormente prescritos podem não ser mais efetivos para uma reincidência da doença, a menos que o profissional já tenha orientado dessa forma.

— É o médico a única pessoa com as condições adequadas para avaliar as necessidades de um paciente, seu histórico de saúde, possíveis interações medicamentosas e possibilidades de alergias, prescrevendo um tratamento adequado. Qualquer atitude fora disso gera um risco considerável — disse.

 

Farmacinha

Como muitos brasileiros, a copeira Maria de Fátima Silva tem uma farmacinha com medicamentos em casa. Mas, segundo ela, abastecida apenas com remédios básicos, como analgésicos e antitérmicos, e fitoterápicos. Ela diz ter consciência dos perigos de se medicar por conta própria.

— É complicado se medicar, principalmente com remédios controlados, como muitas pessoas fazem quando têm dificuldades para dormir.

Guardar tantos remédios em casa já não é uma atitude razoável, na opinião do procurador da Justiça Antônio Duarte. Ele ressalta que, além do risco de ingerir medicamentos fora do prazo de validade, os consumidores, muitas vezes, deixam de armazenar esses itens adequadamente.

— A exposição ao sol, vento ou qualquer intempérie pode prejudicar a durabilidade da medicação. Então, seria muito melhor para a população poder comprar apenas a quantidade que necessita. Evitaria que os pacientes mantivessem em casa sobras de medicamentos utilizados em tratamentos anteriores — declarou.

 

Venda fracionada

A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) apresentou projeto que torna obrigatória a venda fracionada de medicamentos. O PLS 98/2017, em análise no Senado, tem o objetivo de evitar desperdícios, aumentar o acesso da população a medicamentos e contribuir para a economia financeira, o bem-estar e a segurança dos consumidores.

Entre as vantagens do fracionamento apontadas pelo Conselho Federal de Farmácia estão também a maior adesão dos pacientes no cumprimento do tratamento indicado e menor acúmulo de produtos tóxicos nos ambientes domésticos.

De acordo com a proposta, as farmácias e drogarias ficarão obrigadas a vender o número de comprimidos, cápsulas ou o volume dos produtos conforme o receituário indicado. Rose observa que essa prática já é adotada em países da Europa e nos Estados Unidos.

— Medicamentos fracionados são fabricados em embalagens especiais e vendidos na medida exata que o consumidor precisa. Não basta apenas determinar que as fábricas e indústrias façam isso. É preciso criar condições para se fazer.

Ex-ministro da Saúde, Humberto Costa (PT-PE) lembra que, quando esteve à frente da pasta, assinou resolução em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinando a venda fracionada dos medicamentos. O senador salientou, no entanto, que há resistência dos laboratórios em aderir à medida, especialmente pela diminuição dos lucros.

— Os donos de farmácias fazem lobby contra a iniciativa e apresentam argumentos falsos, como o de que precisam de ambiente adequado para a manipulação — disse Humberto.

 

Consciência

Os especialistas lembram que alguns analgésicos livres de prescrição médica podem ser guardados em casa, desde que em local arejado e livre do alcance das crianças. Menores de 5 anos representam cerca de 35% dos casos de intoxicação.

Se, por um lado, a automedicação é um problema cultural, quem se automedica o faz, muitas vezes, pela dificuldade de acesso a serviços públicos de saúde. É o que observa o assessor da Diretoria do Conselho Federal de Farmácia, Tarcísio Palhano. A recomendação é que o cidadão não permaneça sofrendo com dores. Ele aconselha, no entanto, que as pessoas evitem tornar o uso de analgésicos por conta própria uma prática de vida.

— Vemos pessoas madrugando em filas, em postos e em hospitais para conseguir uma ficha de atendimento para dali a seis meses. Então, como chegar para essa pessoa e impedir que se automedique? É natural que o faça, desde que esporadicamente e de modo consciente — frisou.

O estudo do Instituto Hibou mostra que 74% da população tem em mente que a automedicação é prejudicial à saúde e que evitar o consumo de medicamentos pode ser benéfico para a boa saúde no futuro.

 

Descarte

O Brasil é o sétimo país que mais consome medicamentos do mundo, mas existe pouca legislação referente ao correto descarte de remédios vencidos ou sem uso. Jogar medicamentos indiscriminadamente contamina a água, o solo, os animais e prejudica a saúde pública. O descarte de remédios deve ser feito em pontos de coleta específicos, como os presentes em algumas farmácias, para serem encaminhados à destinação final adequada.

As farmácias de manipulação na contramão da crise

A rede NatureDerme vem remando na contramão da crise e iniciou um investimento para abrir o que considera ser a nona loja do grupo, um e-commerce com/Divulgação

As farmácias de manipulação brasileiras representam apenas 10% das empresas do setor farmacêutico no País. A expectativa, porém, é de que as 7.200 lojas do ramo instaladas no Brasil respondam, este ano, pelo equivalente a 12,5% de toda a receita prevista para o segmento de farmácias e drogarias, algo em torno de R$ 5 bilhões. Investimento maciço em ações de comunicação e marketing, além de um maior potencial inovador estão entre os fatores que vêm dando fôlego ao setor. No último ano, 78% dos empresários fizeram algum tipo de investimento e outros 87% planejavam aplicar recursos. Os dados foram divulgados na última semana pela Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag).

Em Belo Horizonte, a realidade não é diferente e os resultados confirmam as estatísticas. Silvana Gonçalves Pinto Araújo, sócia-proprietária da rede NatureDerme – presente na Capital e em Betim e Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), vem remando na contramão da crise econômica que impactou o País. Recentemente, a farmacêutica iniciou um investimento robusto para abrir o que considera ser a nona loja do grupo, um e-commerce com alcance nacional. “Faço parte do grupo que conseguiu aumentar a receita, apesar das dificuldades. O que estamos tentando é não deixar que a crise entre na empresa, buscando novos caminhos e apostas. Estamos concretizando o e-commerce, já que as coisas, no mundo todo, têm caminhado para o lado virtual”, detalha.

A empresária também está consolidando no mercado uma marca própria, a NatureVerde, de cápsulas oleosas, como ômega 3 e linhaça. O objetivo é diversificar as atividades do grupo. A rede de farmácias é formada por oito unidades físicas e tem 130 colaboradores, dos quais 11 são farmacêuticos.

Mercado – O raio-x do setor de manipulação no País integra o Panorama Setorial Anfarmag: Farmácias de Manipulação Brasileiras – 2015/2016. Conforme o levantamento, 39% dos empresários aumentaram a receita em 2015, frente a 2014; 34% mantiveram o faturamento e somente 27% queixaram-se de queda nos rendimentos. Na avaliação do diretor-executivo da Anfarmag, Marco Antônio Fiaschetti, o estudo mostra que apesar da adversidade do cenário econômico, confiança do empresário e particularidades do segmento têm feito a diferença.

“O que podemos afirmar é que os resultados estão diretamente ligados à confiança e, claro, aos investimentos que são realizados. Treinamento de equipe e investimento em um relacionamento mais próximo com o cliente associados a um produto individualizado, de qualidade, fazem a diferença”, afirma. Ainda de acordo com o panorama setorial, 87% dos empresários consultados planejavam investir e 78% haviam executado algum tipo de aporte financeiro. Caso da farmacêutica Janete Grippa Assis, proprietária da Farmácia Debonne, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. O estabelecimento cresceu 25% este ano, na comparação com 2015, quando foram investidos cerca de R$ 70 mil na reestruturação da loja.

“Fiz uma boa reforma e tornei o ambiente mais sofisticado. Além disso, investi em marketing, divulgação, em produtos de nutrição funcional e dermocosméticos. Estou apostando no crescimento e, para isso, investindo em práticas que tenham sucesso junto ao cliente, como aquisição de produtos novos no mercado. Talvez a grande descoberta do setor de manipulação seja a propriedade intelectual do farmacêutico, fundamental para filtrar o enorme número de novidades que chegam ao mercado a todo tempo”, pontua.

Na farmácia Lantana, com unidades nos bairros Santa Efigênia (Leste) e Alípio de Melo (Pampulha), em Belo Horizonte, consultorias comerciais, estudos de gestão estratégica e um direcionamento na área da nutrição têm ditado os resultados obtidos desde o ano passado. Diante da alta do dólar, porém, que impactou diretamente no preço dos insumos utilizados, a solução foi reduzir a lucratividade para não repassar o “prejuízo” ao consumidor. Ainda assim, garante a empresária Andréa Kamizaki, os resultados são promissores.

“Os custos aumentaram muito, principalmente em função das matérias-primas, importadas. De qualquer forma, apostamos em análise de produtividade e gestão para não repassá-los ao cliente. Estamos em uma época em que as pessoas não podem gastar tanto”, analisa a farmacêutica, que mantém uma sociedade com o marido.

Segundo a Anfarmag, o mercado de farmácias de manipulação no Brasil concentra cerca de 7.200 estabelecimentos e gera 90 mil empregos diretos. No segmento de farmácias e drogarias, são 72 mil estabelecimentos, conforme a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafama), que geraram R$ 35 bilhões de receita, 12% mais em relação a 2014. Para esse ano, é esperado faturamento 14% maior, cerca de R$ 40 bilhões.

Cientistas brasileiros desenvolvem sensor que apura diabetes pelo hálito do paciente

Equipamento detecta e mede níveis de acetona, substância ligada à doença

Uma equipe de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), UNESP (Universidade Estadual Paulista) e UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) desenvolveu o protótipo de um sensor que é capaz de verificar e mensurar os níveis de acetona pelo hálito do indivíduo, detectando a presença de diabetes.

O organismo produz uma substância chamada acetona. Em pacientes com diabetes descompensada, essa produção ocorre em maior quantidade, se comparada à de pacientes saudáveis. A substância está presente no hálito e na urina dos diabéticos.

Sede constante, emagrecimento e visão embaçada são sinais de diabetes

Quando entra em contato com o sensor, a acetona altera suas propriedades físicas. O pesquisador Luis Fernando Silva, do Instituto de Física da UFSCar, um dos autores do projeto, explica o processo.

— Quando as moléculas da acetona interagem com o sensor, elas alteram sua resistência elétrica. Essa variação pode indicar para nós os níveis de acetona. Um paciente saudável tem entre 0,3 e 0,9 partes por milhão de acetona. Em um paciente diabético, esse nível pode ficar acima de 1.8 partes por milhão.

Próxima fase do projeto

Agora, a pesquisa prossegue com o objetivo de testar a estabilidade do sensor, para verificar a variação em sua performance, já que pode haver forte influência da umidade nos resultados. Além disso, o grupo procura uma equipe médica para iniciar testes em humanos e aprimorar o equipamento.

— Nosso objetivo, além de identificar a presença ou não de diabetes, é monitorar a gravidade do mau cuidado. Queremos que o sensor seja um substituto aos exames de ponta de dedo.

Atualmente, o controle do diabetes é realizado com exames de sangue, que verificam a glicemia. Porém, com o sensor, abre-se uma possibilidade mais prática e menos invasiva.

Os pesquisadores pretendem comparar o nível de acetona aos níveis de glicemia, para facilitar a vida do paciente e por fim aos exames sanguíneos, que costumam ser diários, explica Silva. Outro projeto futuro é utilizar o equipamento para identificar outras doenças.

Lyxumia é indicado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2

— Já estamos trabalhando com a possibilidade de câncer e infarto. Isso é possível porque o paciente elimina moléculas das doenças que podem estar no hálito.

Pessoas com câncer de ovário tem novo remédio para tratamento

O Lynparza® (olaparibe) será indicado para casos avançados de carcinoma de ovário seroso de alto grau e outros dois tipos de carcinomas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento novo Lynparza® (olaparibe), na forma farmacêutica cápsula dura. O novo medicamento Lynparza® (olaparibe) é indicado para o tratamento de manutenção de pacientes adultas com carcinoma de ovário seroso de alto grau (um tipo de câncer de ovário avançado), incluindo carcinoma da trompa de Falópio (parte do sistema reprodutor feminino que conecta os ovários ao útero) e carcinoma do peritônio (a membrana de revestimento do abdômen).

Lynparza® (olaparibe) é usado em pacientes que têm mutação (um defeito) em um dos dois genes conhecidos como BRCA1 e BRCA2 e que têm doença recorrente (quando o câncer voltou após tratamentos anteriores). Lynparza® (olaparibe) deve ser utilizado após o tratamento com medicamentos à base de platina, quando o tumor teve uma diminuição do tamanho ou desapareceu completamente com este tratamento e a paciente manteve uma resposta durável (duração de pelo menos 6 meses).

O carcinoma de ovário é uma doença agressiva, de risco à vida. Como o número de pacientes com carcinoma de ovário é pequeno, esta doença é considerada rara, e Lynparza®(olaparibe) teve sua análise priorizada pela Anvisa. A detentora do registro do medicamento no Brasil é a empresa AstraZeneca do Brasil Ltda, localizada em São Paulo (SP).

 

Fonte: Anvisa